Inglês como segundo idioma.
Em 1974, o governo federal era o General Ernesto Geisel, que governava com crueldade e bondade. Devido a isso, o cenário sociopolítico no Brasil começa a mudar. O Governo militar estava decepcionado e demonstrava aparência de recuo. Nesta época surgia na área de Letras 29 cursos de mestrado e 8 de Doutorado.
Em 1974, quando a área de Letras havia 29 cursos de mestrado e de doutorado o Presidente era o General Ernesto Geisel, que governava com a flor e o chicote. Com uma mão ele comandava o processo de distensão, com a outra ele mantém o AI 5.(STEVES, CUNHA. Caminhos e Colheitas p.179).
Pucrs.br
![]() |
| Vista da UCRS em 1970 |
Na Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no curso de Letras, é recomendado o emprego do livro didáctico, porém com um atraso de 10 anos. De qualquer forma chegou a boa hora. O nome do livro era: English as a Second Language.No curso de Letras, da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, é recomendado o livro de English as a second language: from therory to practice, de Mary Finocchiaro, que fora publicado nos Estados Unidos 10 anos antes.
Com o atraso de uma década, a editora Cultrix apresenta o livro psicologia e ensino de Línguas, de Wilga Rivers, que fora traduzido para o português. (STEVES, CUNHA. Caminhos e Colheita p.179)
Percebe-se que o ensino desse momento, reconhece o livro didáctico como um instrumento importante no ensino da língua estrangeira, especialmente o inglês. Além do livro didáctico, a Editora Cultrix apresenta um outro livro. Em 1975, o Instituto de Brasília passa ter 3 mestrados na área de Linguística. A partir desse momento, a cultura inglesa torna parte de nosso convívio, de maneira mais significativa. Percebe-se que o cenário académico das faculdades brasileiras tende-se a mudar gradativamente, através de publicação de obras na área de Linguística Aplicada ao ensino de inglês.O autor que muito destacou nesse período foi Francisco Gomes de Matos, com uma tese de doutorado defendida 3 anos antes na PUC-SP. O livro continha traços estruturalistas e considerado um trabalho de destaque naquele instante em que o ensino nas faculdades brasileiras era mais teóricos que prático.
O livro é considerado uma obra de referencia daquele momento teórico do ensino de línguas no Brasil. (ESTEVES, CUNHA - Caminhos e Colheita p.181); COSTA COUTO, 1998, p.135).
Verifica-se no quadro acima mudança na natureza dos conteúdos. O termo estruturalismo considera a língua como um conjunto em que as relações definem os termos. Isto é, as classes gramaticais são definidas através das relações existentes entre frases, períodos ou orações. Implica que um verbo poderia ser um substantivo dependendo da forma como fosse empregado na frase. Muitas escolas ainda cultivam os métodos estruturalistas . Análise sintática, morfológica faz parte desse processo.
Enquanto intelectuais trabalhavam em função de publicar obras, visando a melhoria do ensino nas escolas brasileiras, no Rio de Janeiro estudantes faziam greves de protestos contra as autoridades pedindo mais verbas para o bom andamento das faculdades.
No Rio de Janeiro após greve contra o aumento de mensalidades e multa por atraso de pagamento, os estudantes da Pontifícia Universidade Católica escrevem carta aberta ao ministro Ney Braga pedindo aumento de verbas destinadas às universidades. (STEVES, CUNHA Caminho e Colheitas p.181)
"Esta nova proposta foi apresentada pelo o linguista aplicado, José Carlos de Almeida Filho, expõe suas ideias embasadas em um planejamento de curso exclusivo para o contexto universitário brasileiro." Como se percebe, o sistema nacional brasileiro de ensina línguas nesse período, gradativamente, vai sofrendo influencias dos moldes americanos, através de professores brasileiros que foram capacitados fora. Em 1979, crítico literário , Leslie Fiedler, visita Universidade Federal de Santa Catarina, o Programa de Pós-graduação em Letras está dividido em 3 áreas sendo uma delas língua inglesa.Na PUC-SP, no programa Flori - napolitano apesar de não trabalhar a língua inglesa em harmonia com outras línguas, porém, é priorizado o estudo da literatura em língua inglesa. A revista nesta época publica estudos literários ligado ao idioma inglês. Este procedimento intensificou tanto que anos depois, 1984, passam a publicar artigos sobre a língua inglesa e temas linguísticos em geral bem como instrumento para a leitura e a produção de textos, o emprego do inglês como instrumento na interação, oral, escrita, entre os professores pós-graduados é questionado externamente, os procedimentos de ensino empregados nesse momento.
Com o avanço da tecnologia surge no final da década 70, o inglês instrumental, ou seja, inglês para Propósitos Específicos. É o estudo cuja a finalidade de leitura era direcionada para as diferentes áreas de atuação do aluno e, geralmente, voltada para a ciência e tecnologia. Em algumas universidades, essa disciplina era oferecida como inglês técnico. Em Julho de 1979, Nora Tiele coordena a Universidade Federal do Rio Grande do Sul o I Seminário regional-Sul do Projeto de Ensino de inglês Instrumental em Universidades Brasileiras.
O Projeto é patrocinado pelo Conselho Britânico e é coordenado nacionalmente por Antonieta Celani (PUC-SP), que com Michael Scott (Universidade de Liverpool) um dos consultores , está presente no encontro. (STEVES, CUNHA Caminhos e Colheita p.184)
O Inglês Instrumental se ocupa na área de leitura, interpretação e compreensão de textos excluindo, portanto, a conversação ou tradução integral dos textos estudados. Logo passou a ser denominado de inglês Instrumental devido ser empregado em modalidades diferentes do conhecimento científico e tecnológico. Vem sendo empregado não somente em universidades, mas em escolas de nível técnico, em cursos preparatórios, para leitura de textos de vestibular, de concursos públicos, em algumas escolas de segundo grau e em algum curso preparatório para candidato do curso de mestrado e doutorado.
Tendo em vista que o inglês está praticamente em todas as áreas do conhecimento, a iniciativa dos anos 70 em implantar o inglês Instrumental aqui no Brasil foi, certamente, importante para o estudante brasileiro, que teria que estudar por longos anos para adquirir uma formação em um curso de inglês. Com o ESP, ficou mais fácil, regularizar a vida profissional . Atualmente, existem um número bem grande de alunos que optaram pelo.
Conclui-se que, a trajetória do ensino de línguas inglesa no Brasil vem desde o período colonial em que o ensino era de responsabilidade dos padres jesuítas que ocupavam em ensinar o latim devido ser uma língua clássica. Com a expulsão deles aqui do Brasil, foi implantado pelo o ministro Marquês de Pombal, o sistema de ensino régio, com professores do Estado e que não fossem religiosos, para que ministrasse as línguas clássicas: o latim e o grego. Devido ser através dessas línguas que ensinava o vernáculo, história e geografia. Com a vinda da família real para o Brasil em 1808, a língua inglesa teve um leve impulso. Mais tarde com a fundação do Colégio Pedro II, o ensino de línguas no Brasil passa ganhar importância, devido adotar um novo currículo de acordo com o modelo dos franceses que priorizavam o francês em seguida vinha o inglês e por último o alemão. Essa grade curricular geriu a educação aqui no Brasil por mais de um século.
O Brasil, desde o seu descobrimento, vem sofrendo influência de povos vindos de outros países do mundo em busca de melhoria de vida.Toda a extensão territorial, desde o início do século XX, formou grandes colônias de imigrantes. Tais colônias querendo preservar suas culturas, organizavam escolas para crianças estudarem apenas a língua de seus ascendentes e o português quando estudavam era tido como uma língua estrangeira.
Apesar do alarme movimento de migração que houve nessa época, o modelo de ensino implantado pelo o Colégio Pedro II, manteve até 1829. Sendo o francês em primeiro lugar e seguido do inglês, depois do alemão e, a partir de 1829, o italiano, que fez parte do currículo até 1931.
Com a nova política do governo Getulio Vargas em 1930, embasada em ideais de modernidade, cujo o propósito era implantação de uma identidade nacional , coloca sob o domínio do governo todas as idéias anti-democráticas com respeito a língua.E isso, iria no futuro refletir no destino da Educação. O fator que mais agravou o ensino de língua inglesa no início da década de 70, foi o fato de a LDB de 1961 e a de 1971 ignorar a importância das Línguas estrangeiras dentre as disciplinas obrigatórias.
A não obrigatoriedade do ensino de língua estrangeira (LE) trouxe como consequência a ausência de uma política nacional de ensino de Línguas Estrangeira; diminuição drástica de carga horária, chegando apenas uma a outra por semana em várias instituições e um status inferior ao das disciplinas obrigatórias, pois, em alguns estados, a língua inglesa perdeu o poder de reprovar. Durante a década de 70, o regulamento da língua inglesa no Brasil passa por mudanças que mais tarde contribuiria para sua aceitação e licitação nas escolas brasileiras.Nota-se que a educação na década de 70 não se calou com a maneira pejorativa do governo. Antes, através de manifestos, criação e execução de projetos de pesquisas , implantação de cursos de pós-graduação, inserção do livro didático, implantação do inglês instrumental, oficialização da língua inglesa nas escolas públicas, seminários, fez com que o ensino de inglês nas escolas brasileiras se solidificasse.Porém o seu pleno avanço somente aconteceria nas décadas posteriores. Ao término dos anos 70, a ideia que se tem nos escritos feitos em encontros nacionais de professores, universitários são estudos debatidos por educadores da área que na maioria são preleções de experiências que nada resulta de investigação e, portanto não são informados teoricamente. Na maioria são trabalhos que até hoje explora o cognitivo e a estrutura profunda da língua e as prescrições de procedimentos metodológicos que são chamadas de antigas fórmulas ou receitas.
Os anos 70 apesar de não ter obtido muito êxito no tocante ao domínio prático da Língua Inglesa, contudo, pode ser tido como referencial da língua inglesa no Brasil. Pois, nesse momento o universo acadêmico acorda para as línguas estrangeras e por questões diplomáticas priorizam a língua inglesa.



